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Onze pacientes perdem visão após cirurgia de catarata em Salvador

Casos ocorreram em clínica na Avenida Garibaldi

Por: Redação

11/03/202608:40Atualizado

A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Salvador confirmou que onze pacientes perderam a visão de um dos olhos após passarem por cirurgias de catarata realizadas na clínica Clivan, na capital baiana. Todos precisaram ser submetidos a evisceração ocular, procedimento cirúrgico que remove o conteúdo interno do globo ocular, após desenvolverem infecções.

Foto Onze pacientes perdem visão após cirurgia de catarata em Salvador
Foto: Reprodução/Google Street View

Segundo a pasta, os pacientes estão recebendo acompanhamento especializado e deverão iniciar processo de reabilitação no Instituto dos Cegos da Bahia. O atendimento contará com equipe multiprofissional, incluindo suporte psicológico.

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Inicialmente, nove pessoas apresentavam complicações e indicação para o procedimento. No entanto, após novas avaliações médicas, o número subiu para onze. Todos os casos estão relacionados a cirurgias realizadas no dia 26 de fevereiro, em uma mesma sala da unidade de saúde. 

Ao todo, 26 pacientes passaram pela cirurgia de catarata na data. Todos estão sendo acompanhados pela rede pública de saúde, com atendimento no Hospital Geral do Estado (HGE) e no Hospital Santa Luzia. De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, nenhum deles tem previsão de alta hospitalar até o momento.

Além dos onze pacientes que perderam a visão, outros 15 que também foram submetidos ao procedimento continuam sob monitoramento médico e passam por avaliações periódicas, conforme a necessidade de cada caso.

Clínica interditada

A clínica Clivan, localizada na Avenida Garibaldi, está interditada desde o dia 2 de março. A Prefeitura de Salvador também suspendeu o contrato da unidade com o município. Um aviso fixado na entrada do estabelecimento orienta pacientes em acompanhamento a entrarem em contato com a Regulação Municipal para receber orientações e serem encaminhados para outras unidades da rede.

Segundo a SMS, o processo de remanejamento desses pacientes já foi iniciado e será realizado de forma gradual, de acordo com as etapas de avaliação médica, regulação e disponibilidade de atendimento na rede municipal.

O oftalmologista responsável pelas cirurgias afirmou, em entrevista, que atua na área desde 2013 e declarou nunca ter enfrentado uma situação semelhante. O médico, que preferiu não se identificar, disse aguardar o resultado das investigações conduzidas pela Vigilância Sanitária, que apuram a possibilidade de contaminação em algum insumo ou instrumento utilizado durante os procedimentos.

Em nota, a clínica Clivan informou que todos os protocolos clínicos, técnicos e de biossegurança foram seguidos durante as cirurgias e no acompanhamento pós-operatório dos pacientes. A unidade afirmou ainda que realiza mais de 8 mil procedimentos por ano e classificou o episódio como isolado.

“A clínica mantém um histórico sólido de segurança, qualidade e excelência. Reiteramos nosso compromisso com a saúde, o bem-estar e a transparência no atendimento aos pacientes, permanecendo à disposição para quaisquer esclarecimentos adicionais”, diz o comunicado.