TRE-BA autoriza investigação contra prefeito por suspeita de caixa dois
Decisão atende pedido da Procuradoria Eleitoral e apura contratos suspeitos após eleição
Por: Redação
11/03/2026 • 12:10
O Tribunal Regional Eleitoral da Bahia autorizou a abertura de um inquérito policial para investigar o prefeito de Rio de Contas, Célio Evangelista da Silva, conhecido como “Célio Vaqueiro”. A decisão foi assinada pelo desembargador eleitoral Mauricio Kertzman Szporer e atende a um pedido da Procuradoria Regional Eleitoral.
A investigação busca esclarecer suspeitas de financiamento irregular de campanha, prática conhecida como caixa dois, além de possíveis irregularidades em contratos firmados pela Prefeitura com empresas ligadas a um ex-gestor condenado por improbidade administrativa.
O caso teve origem em uma notícia de fato encaminhada pelo Ministério Público da Bahia, que aponta possíveis irregularidades nas eleições municipais de 2024 e nos primeiros meses da atual gestão.
De acordo com o Ministério Público Eleitoral, duas empresas contratadas posteriormente pela prefeitura teriam financiado de forma não declarada a estrutura de eventos da pré-campanha e da campanha de Célio Vaqueiro.
Entre as empresas citadas estão Andressa Assunção Pessoa Ltda. e Pontual Contábil Ltda., que teriam custeado itens como palco, iluminação, som e painéis de LED utilizados em comícios e até na festa de comemoração da vitória eleitoral, sem registro formal na prestação de contas.
Discrepância nos valores declarados
Na decisão que autorizou a investigação, o relator destacou uma grande diferença entre a estrutura usada nos eventos e os valores declarados oficialmente. Segundo os documentos analisados, apenas R$ 11.180 teriam sido informados como gastos com palco e gerador durante a campanha.
Em contrapartida, logo após a posse do prefeito, a prefeitura teria contratado as mesmas empresas para serviços relacionados a eventos públicos, incluindo a estrutura do Carnaval de 2025.
Ex-prefeito também é citado nas investigações
Outro ponto investigado envolve o ex-prefeito Wilde José Cardoso Tanajura, condenado por improbidade administrativa e impedido de contratar com o poder público.
Segundo os documentos reunidos no processo, ele seria o verdadeiro controlador de uma das empresas beneficiadas. A investigação aponta que Tanajura aparece como sócio majoritário da empresa Andressa Assunção Pessoa Ltda., cujo capital social teria saltado de R$ 30 mil para R$ 500 mil entre 2022 e 2023, período que antecedeu as eleições.
Contratos também são alvo do MP
Além da suspeita de caixa dois eleitoral, o Ministério Público levanta dúvidas sobre a forma como alguns contratos foram firmados pela prefeitura.
Entre os casos analisados está a Dispensa de Licitação nº 009/2025, que resultou em um contrato de R$ 62 mil para estrutura do Carnaval, justificado por um decreto municipal de emergência.
Outro ponto citado envolve um pregão eletrônico para locação de estrutura de eventos, com valor global de R$ 640 mil, no qual a mesma empresa saiu vencedora após a desclassificação de concorrentes que apresentaram propostas mais baratas.
Polícia Federal ficará responsável pela investigação
Na decisão, o desembargador Mauricio Kertzman Szporer afirmou que os indícios apresentados pelo Ministério Público indicam uma “pluralidade de condutas aparentemente ilícitas”, que podem incluir falsidade ideológica eleitoral e crimes previstos na legislação de licitações.
Com a autorização judicial, o processo foi encaminhado à Polícia Federal, que ficará responsável pelas diligências e pela condução do inquérito.
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