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Procurador faz 352 corridas e analisa realidade de motoristas de app

Ilan Fonseca realizou corridas em quatro meses para pesquisar a categoria

Por: Domynique Fonseca

18/08/202613:00Atualizado

Em entrevista ao Portal Esfera no Rádio, na 97,5 FM, apresentado por Luis Ganem, o procurador do Ministério Público do Trabalho (MPT) e doutorando em Estado e Sociedade pela Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), Ilan Fonseca (@ilanfonseca), contou como passou quatro meses trabalhando como motorista de aplicativo em Salvador para pesquisar as condições do trabalho "uberizado". Durante o período, ele realizou 352 corridas e ficou cerca de 350 horas conectado à plataforma.

Foto Procurador faz 352 corridas e analisa realidade de motoristas de app
Foto: Portal Esfera

A experiência foi baseada no método etnográfico, que propõe a imersão do pesquisador na realidade do grupo estudado. Ilan registrava em áudio situações vivenciadas durante as corridas e, ao chegar em casa, organizava as informações sobre gastos, passageiros e rotina de trabalho. “O pesquisador não pode só ficar lá no ar-condicionado dele pesquisando o livro, pesquisando as leis. Ele pode e deve entrar no grupo social”, explicou.

Segundo o procurador, a remuneração dos motoristas pode parecer maior quando são considerados apenas os valores recebidos e os gastos imediatos. Ele destaca, porém, despesas como manutenção e desvalorização do veículo, multas, impostos, alimentação e seguro. “Quando você bota tudo isso aí na ponta do lápis, eu diria que pelo menos metade está com o dinheiro empatado ou, pelo menos, está ganhando igual a salário mínimo, igual ao CLT”, afirmou.

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Para Ilan, a imersão também mudou sua percepção sobre os conflitos envolvendo motoristas, passageiros, entregadores e plataformas. “Depois que você faz uma imersão dessa, você começa a entender por que as pessoas pensam dessa forma”, disse. A pesquisa, segundo ele, permitiu compreender melhor as insatisfações e os conflitos presentes nas relações de trabalho mediadas por aplicativos.