“Era emprego, mas virou prisão”: vítima relata tráfico humano no Camboja
Grupo de 23 brasileiros afirma ter sido vítima de exploração e aguarda retorno do exterior
Por: Domynique Fonseca
27/08/2026 • 15:30 • Atualizado
Nove baianos estão entre os 23 brasileiros que relatam ter sido vítimas de tráfico humano e exploração laboral após aceitarem propostas de emprego no Camboja, no Sudeste Asiático. Em entrevista exclusiva ao Portal Esfera, Karine, uma das vítimas, uma bombeira civil de Salvador, contou que viajou com a promessa de trabalhar com atendimento ao público, mas descobriu, ao chegar ao país, que seria obrigada a aplicar golpes por telefone contra brasileiros. O grupo está atualmente em Madagascar, no continente Africano e, busca retornar ao Brasil.
Segundo o relato, os brasileiros foram levados inicialmente para Poipet, no Camboja, onde teriam os passaportes retidos e seriam impedidos de deixar o alojamento. Karine afirma que havia cobranças de multas, ameaças e punições para quem tentasse sair ou não cumprisse as metas. “No local, éramos proibidos de sair do alojamento. Havia diversas regras, multas e outras formas de punição”, relatou. Diante do agravamento da situação, parte do grupo teria sido transferida para Antananarivo, capital de Madagascar.
Acervo pessoal/Reprodução
A brasileira também afirma ter sido agredida durante uma abordagem policial e relata que os documentos dos integrantes do grupo foram recolhidos. “Um dos policiais deu um tapa no nosso rosto e nos jogou no chão”, disse. De acordo com Karine, os brasileiros conseguiram contato com autoridades do Brasil e de Madagascar, além da Interpol e do FBI, e posteriormente deixaram a área sob custódia. Atualmente, o grupo estaria abrigado por uma ONG local e sem condições de retornar ao Brasil por meios próprios. “Quero muito voltar para o Brasil, principalmente para poder ver minha filha e minha família”, afirmou.
Acervo pessoal/Reprodução
A Polícia Federal confirmou ter conhecimento da situação e informou que encaminhou o caso às instâncias competentes e ao Ministério das Relações Exteriores. O Itamaraty, por sua vez, afirmou ao Portal Esfera, que acompanha o grupo por meio da Embaixada do Brasil em Maputo, responsável pelo atendimento consular em Madagascar, mantendo contato com autoridades locais.
As denúncias apresentadas pelas vítimas ainda são objeto de apuração. O Protocolo de Palermo, da ONU, caracteriza o tráfico de pessoas, entre outras situações, pelo recrutamento ou transporte mediante fraude, engano, coação ou abuso de vulnerabilidade para fins de exploração.
Uma vaquinha foi criada por amigos de Karine para ajudar nos custos de seu retorno ao Brasil. Clique aqui para acessar.
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